Estatística de pesquisa eleitoral de jornal local é citada em investigação no RN
A estatística que assina a pesquisa eleitoral de jornal local também assinou levantamento no RN que a Justiça Eleitoral mandou a PF investigar. Entenda.
A estatística que assina a pesquisa eleitoral para deputado divulgada pelo Jornal de Jundiaí no domingo (27) é a mesma profissional responsável por um levantamento no Rio Grande do Norte que a Justiça Eleitoral mandou a Polícia Federal investigar em agosto.
A informação consta do sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde toda pesquisa eleitoral precisa ser registrada antes da divulgação.
O que mostram os registros
Nos dois casos, o campo "estatístico responsável" traz o nome de Giovana Rillary da Silva Rocha, com o mesmo número de registro no Conselho Regional de Estatística (Conre): 11564.
Portanto, os institutos e os contratantes são diferentes. O ponto em comum entre as duas pesquisas é a profissional que assina a parte técnica.
O caso no Rio Grande do Norte
A pesquisa eleitoral RN-09520/2026 apontava o candidato Álvaro Dias (PL) na liderança da disputa pelo governo potiguar, com 32,5%.
Em 5 de agosto, segundo o JOL RN e o portal Saiba Mais, a desembargadora Sulamita Pacheco, do TRE-RN, determinou o envio do caso à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes. A medida atendeu a pedido do Ministério Público Eleitoral.
De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, havia indícios de:
- divulgação de pesquisa fraudulenta;
- falsidade eleitoral;
- obstrução da fiscalização pelos partidos.
Ainda segundo o JOL RN, a estatística responsável "apareceu em um documento com dois números diferentes de registro profissional". Um deles, conforme a Procuradoria, pertenceria a outro estatístico, Augusto da Silva Rocha, ligado ao Instituto Média Inteligência em Pesquisa.
Em seguida, em 11 de agosto, o juiz eleitoral Hallison Rêgo Bezerra suspendeu a divulgação da pesquisa por decisão liminar, conforme o Agora RN. Até 2 de setembro, segundo o mesmo veículo, o levantamento seguia suspenso e aguardava julgamento final.
Além disso, em setembro, o Ministério Público Eleitoral apontou indícios de um "esquema organizado" envolvendo sete pesquisas no estado. A campanha de Álvaro Dias afirmou que não contratou os levantamentos citados. O parecer ainda depende de análise da Justiça Eleitoral e não representa condenação.
E a pesquisa de Jundiaí?
A pesquisa eleitoral do JJ foi registrada em 21 de setembro e ouviu 600 eleitores de Jundiaí entre 22 e 25 de setembro. A margem de erro informada é de quatro pontos percentuais.
Os questionamentos feitos pela Justiça Eleitoral referem-se à pesquisa do Rio Grande do Norte. O fato de a mesma profissional constar como responsável técnica no registro da pesquisa de Jundiaí não indica, por si só, qualquer irregularidade no levantamento realizado aqui.
A comparação dos registros tem caráter informativo e permite que o eleitor consulte os dados oficiais de cada pesquisa, sem estender à de Jundiaí as suspeitas relativas ao caso do RN.
Como o eleitor pode conferir uma pesquisa
Toda pesquisa eleitoral divulgada no país precisa de registro prévio na Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão pode consultar os dados no sistema PesqEle Público, no site do TSE, informando o número do registro.


Na consulta, é possível verificar:
- o instituto e o contratante;
- o valor pago e a origem do recurso;
- o estatístico responsável;
- a metodologia, o plano amostral e a margem de erro.
Partidos, federações, candidatos e o Ministério Público podem pedir acesso aos dados internos e contestar o levantamento. O primeiro turno das eleições ocorre em 4 de outubro.


